29 Novembro 2009

Esfíncter

"Nos demais - eu sei, qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração - em todas as partes palpita"

Maiakovski devia estar com o c* piscando quando escreveu isso.

20 Setembro 2009

Déjà Vu Vanusa: Hino Nacional Brasileiro na Copa de 1990



Após os fracassos, Vanusa e Branco alegaram estar sob o efeito de remédios.

Corinthians de Ronaldo Cai de Quatro Para Goiás de Hélio dos Anjos

"Fui. Vocês não merecem falar comigo nem com o Hélio dos Anjos".

14 Setembro 2009

Aperitivos Para Banguelas

O site humorístico Jacaré Banguela, que agora faz parte da plataforma Globo.com, abriu concorrência para 3 novos redatores. Como minha mãe adora dizer que 'a Globo tá me perdendo', resolvi entrar nessa disputaria para ver se eles finalmente me acham.

O critério de seleção é o envio de 3 posts de humor para serem analisados pelo editor Rodrigo Fernandes. Mandei lá as 3 palhaçadas, e resolvi postar duas delas aqui, deixando a cereja no bolo (ou o post mais elaborado) para o caso de eu ser um dos eleitos. Quem rir ganha uma encoxada ou um aperto de mão, a depender da posição.


POST 1:

Título: Tá lá o corpo estendido no chão!
Notícia: Lenon e Zé Roberto brigam no treinamento do Fla na Gávea
O apoiador Lenon se desentendeu com o meia Zé Roberto e tentou, sem sucesso, acertar uma 'voadora' no companheiro.

Comentário: Se fosse o Mark Chapman, aposto que não erraria o alvo...

Lenon, o subzero rubro-negro

P.S.: Depois de mandar o texto pro JB, lembrei que podia pensar n'alguma brincadeira com o nome do livro que o Chapman citou para justificar o assassinato de John Lennon. Na versão da Gávea podia ficar "O apoiador no campo de treinamento", ou algo do tipo. Mas já foi...


POST 2:


Título: Fundista fundida

Comentário: Se cortar o cabelo e botar um bigode louro, pode chamar de Foguinho!

P.S.: Pensei em brincar com a etimologia do Caster* Semenya** (algo a ver com o fato de ser Castrada* mas poder doar Sêmen**, mas não ia ficar legal). O fato de ela ser "fundista" sim, daria uma boa piada. Algo do tipo: "Se 'na frente' ela é discutível, de seu fundo ninguém pode dizer nada". (Em tempo, o título deste segundo post não entrou na versão original. Tchau!)

15 Julho 2009

O Sexo Sentido

... não se reduz ao sexo feito, praticado. o sexo sentido também é o sexo pensado, imaginado em sonho: do aprendizado pretende futuro sem-tender passado. por cima do lembrado mantém-se fantasiado, erguido em ereção. as curvas: perna peito bunda; pênis bunda peito, olh-os dois se olhando. o sexo fantasiado pode chegar pêlo cheiro áudio gosto te(n)são: afrodite. o sexo pornográfico, a barbie sex-o seguro sex and the city. segura assim seguramente o cabo, a cabecinha, a base, a camisinha, o mago e a cartola (a ré e as ré em tranças). pra vir com a gente é só seguir com os olhos fios ou fotos, boca beija sapo, sonomatopáico: smac! splash! ou-vido falando sozinho, falta de carinho, seca, dia de chuva. o sexo sentido e o sexto, o cisto, a cintalgema liga a alfazema ou soco aos supercílios; dos lábios sexos sem som somado ao breu do lar e ao mar azul sem brilho. mas sem sentir assim não dá, ninguém não dá assim, é sextabelecido. os cinco, o sexo se sentindo segue se sentando o sexo com anos luz do fim da vida. com peito bunda perna coxa línguouvido e o dedo no nariz a-ponta: me veja, me inveja.


One note samba: Achei esse texto no fundo do baú eletrônico, depois de entrar no http://www.archive.org/web/web.php, site que recupera sites já desativados na net. Primeiro procurei por www.oaranha.com.br e não consegui acessar nada (saudades do aracnídeo). Daí tentei o www.filosofiaprivada.com, pra ver se achava algo do antigo site de Juliana Cunha, no qual volta e meia escrevia... Enfim, achei essa minha ode à putaria aí perdida. Depois procuro mais...
.

28 Junho 2009

Samba no bebop dos ianques


'Show de bola' a manchete do LanceNet sobre a vitória do Brasil em cima dos batedores de baba de Obama.

Engraçado é que vi no Olé, da Argentina.

15 Junho 2009

Primeiros aniversários

24 Maio 2009

Maldoso, Eu?!

Depois do vídeo que postei no YouTube, mostrando Margareth Menezes dizendo que o pagode baiano é "ridículo", uma "merda", uma "porcaria", e deu um rebucetê danado (haja vista o número de acessos e comentários ao vídeo), ela resolveu se retratar e pedir desculpas através de alguns órgãos de imprensa.

Maga disse ao Correio* que tem o maior respeito pelo pagode e pelos artistas do gênero, e tentou se explicar dizendo que o vídeo foi postado "de forma maldosa no YouTube, destacando um trecho sem mostrar o contexto". Nadaver.

Na verdade, o tal contexto queimaria ainda mais o filme da cantora. Explico: Uma pessoa da plateia tomou o microfone e insinuou que Margareth e outros artistas da axé music eram omissos nas questões sociais. E o que Maga fez? Negou. Tirou o dela e dos colegas de axé da reta e meteu, sem qualquer explicação (ou melhor, fora do contexto), o dos pagodeiros. Mas, vamos combinar que ela não fez isso por maldade.

14 Maio 2009

Pagode é uma coisa ridícula, diz Margareth Menezes



Gravei esse vídeo de Maga se declarando anti-pagode na terça (12/05), quando fui fazer uma entrevista com Marcelo Yuka para o programa Por Trás, da Metrópole TV. Editei aqui no Final Cut, aculhãozadamente (já que ainda não sei mexer direito no programa), e coloquei no blog, porque achei que pode dar samba (ou pagode). Enfim, ei-lo aí e, logo que sair, posto a conversa com Yuka, que ficou show de bola.



Em tempo, pra cumprir outra promessa feita em posts passados, segue link para a entrevista com Ruy Castro, que também ficou massa. Depois de desancar Lobão e Ronaldo Fenômeno, ele riu de uma piadinha minha. Rá! Mas é sério: vale a pena conferir a entrevista. Ruy Castro é uma figuraça.

04 Maio 2009

Feliz que nem pinto no (barra)lixo

Me fudi, mas valeu a pena. Fui ao Barradão ontem, cobrir a final do Baianão, sem cobertura, de baixo de uma chuva e de um vento filadaputa, com câmera digital da Metrópole TV e dois celulares nos bolsos (um meu e outro de João Lins, editor de vídeo da TV, com quem marquei, mas não me encontrei). Me bati sim foi com Paulo (um amigo dos tempos de colégio), com quem fiquei conversando e resmungando sobre a atuação do nosso time (o tricampeão) durante boa parte do jogo.

Estacionamos nossos corpos numa grade acima das arquibancas, perto da entrada principal. Foi dali que filmei os dois gols rubro-negros e a festa da galera debaixo do aguaceiro. Filmei, aliás, o que a chuva deixou filmar, já que estava preocupadíssimo: a câmera ficou diversas vezes molhada, embassada, enfim, com cara de quem ia entrar água.

Mas onde parecia que ia 'entrar água, na porra toda' foi no nosso chopp. Jahia 2x0, sério, chegou a preocupar. O chute que Reinaldo Alagoano deu em cima de Viáfara, no início do segundo tempo então, fez trancar tudo, que não passava nem diarreia braba. Ainda bem que nós, como eles, também tivemos direito a cagadas. Neto Baiano largou seu barro: 1x2. Ramon Menezes (ainda que eu preferisse Viáfara) puxou a corda e deu a descarga no tricocô: 2x2. (Tri somos nós!)

Saí de lá aliviado, mas a volta pra casa não parecia das mais empolgantes. Esqueci de explicar que a pauta da vídeo-reportagem não era simplesmente o jogo, mas também o clima dentro de um buzu no caminho de ida e de volta do estádio, que segundo André Teixeira, meu chefe, foi sugerida pelo chefe-quase-mor Chico Kertész (o mor é Mário. Você conhece o Mário?...)

Já que não podia pegar nem táxi, nem carona, caminhei que nem pinto molhado (e ainda de baixo d'água) ao ponto de ônibus, e deixei passar dois carros abarrotados de rubro-negros, sem espaço suficiente para comportar meus magros ossos. Caminhei para o ponto seguinte, pra evitar a confusão na entrada do buzu, e - burucutu - emburaquei-me na traseira de um Estação Pirajá que passou, cá depois da entrada de Sete de Abril, após testemunhar torcedores da Imbatíveis empunharem paus e pedras para meterem em alguém ou algum lugar, bem ao meu lado. Achei que ia sobrar também e adiantei meu passo.

Seguiram o caminho deles, graças a São Paulo César Carpegiani, enquanto estacionei no ponto, com um saco da Di Santinni na cabeça, me protegendo da chuva e escondendo o meu arquétipo 'mauriçola' perdido, que meus cabelos erroneamente me conferem. No buzu da Estação, acomodado na traseira, filmei um bêbado ameaçando vomitar em meu pé, uma piriguete preocupada se eu ia mandar as imagens dela pra Bocão e até torcedores tricolores ouvindo os mais impronunciáveis adjetivos às suas miseráveis condições. Tudo isso fechou a minha via crucis com final feliz: o tri-campeonato baiano do meu Vitória, que não fez o banho de bola se traduzir em tentos, mas pelo menos faz em taças: 8x1 na década.

p.s.1: Ok. A volta não terminou tão feliz assim: ainda tive que dar uma boa paletada, debaixo de chuva fina, até a estrada de Campinas, onde peguei um Pirajá e desci pra Marechal Rondon, onde dormi.

p.s.2: Aos torcedores coligados, a piada com o 'barralixo' foi inevitável. Considerem liberdade poética. Comemoremos, vamos!

30 Abril 2009

"o presente."


- amor.
- oi?
- comprei um presente para você.
- é o que eu estou imaginando?
- não sei.
- um anel de brilhantes?
- não.
- um brinco?
- não.
- um carro, você comprou um carro!?
- não.
- é.... é....é.... tá vendo aquele cocô ali?
- caralho! você comprou um cocô?
- não, um cachorro.


>>> Apesar do estilo (ham-ham!), o texto não é meu. É de um maluco chamado Erick Rosa, que assina a coluna "Um brasileiro em Portugal" do jornal Destak (se não me engano). Ele postou esse textículo em seu blog Bigode Molhado, que eu sigo já há algum tempo e resolvi indicar aqui. Vejam aí. Tem várias ondas massa.

23 Abril 2009

Peito Vazio

Possuído pelo mais destemido espírito gonzojornalístico, caí - como de costume - na besteira de entrar de cabeça numa das minhas reportagens, para mais uma vez me arrepender amargamente da decisão preciptada.

Na verdade, 'amargamente' não é o termo mais apropriado para o caso, já que a depilação com cera quente, à qual me submeti para fazer essa matéria pro Jornal da Metrópole, era feita do mais doce mel, fornecido por algum apiculturista sacana lá das bandas da Pituba.


Foi por ali, numa casa de depilation, que eu passei a 'máquina zero' nos meus ralos pentelhos intermediários e senti a dor lancinante comparável a um tapa de mão aberta na caixa dos peitos ou, talvez, à retirada abrupta dos meus órgãos internos através de um aspirador gigante. A porra dói, véi.

Ficou a lição, mais uma vez, e a orientação para nunca mais fazer pouco caso quando ouvir alguma coitada dizer que 'mulher sofre pra ficar bonita'. Se eu fosse mulher, eu seria uma baranga descuidada convicta!

Para ler a matéria completa, clique aqui e vá até a página 19.

P.S.: Eu assino a matéria, mas não me identifico na foto. A dor já foi queimação de filme suficiente.

21 Abril 2009

Chopp Dobrado

Com o fim d'O Aranha, em fevereiro passado, fiquei sem ter pra onde 'mandar' minhas piadas virtuais. Na falta de locais apropriados para divulgar as palhaçadas (cheguei a enviar para o Antonio Tabet, do Kibeloco, mas duvido que ele publique), resolvi utilizar meu próprio blog - veja você - para mostrar minha interpretação da comemoração do gol de Ronaldo 'Felômeno', do Corinthians, em cima do São Paulo na semifinal do Paulistão. Enfim, sem mais delongas...

:)

Ah, vai... Foi boa essa. E se eu estivesse de posse de um Photoshop - o qual manipulo razoavelmente - teria saído melhor.

Mas antes que muita gente ache que a sacada procede, o brahmeiro já explicou a estranha comemoração aqui!

P.S.: Falando nos 'bambis' (são-paulinos), tava vendo Vampeta (o criador do apelido), no Faustão, participando da Dança dos Famosos. Que figura! Mas o mais engraçado foi o próprio Faustão comentando a atuação de Ronaldão no referido baba. Segundo o gordo dominical, "Ronaldo é tipo massa de bolo: Quanto mais bate, cresce". Ok, Fausto, você está certo. Mas acho que bateram só dos lados, que foi pra onde ele cresceu.

P.S. do P.S.: Alguém concorda que o termo 'são-paulino' é tão gay quanto 'bambi'?

19 Abril 2009

Edição Limitada

Mais uma da série "Eu sou menos pior do que parece". A crítica da vez veio da minha bróder Leila Pimenta, que se recusou a acreditar que a matéria sobre "tecnossexuais em Salvador", publicada no Jornal da Metrópole de 17/04, foi escrita por mim. Enfim, foi sim, "Pilhenta", e a culpa pela cagada na edição também foi minha, que escrevi um texto grande (preguiça de resumir), para um espaço pequeno, jogando a míssão impossível de condensar o texto e manter a qualidade na editora do jornal. Se bem que "manter a qualidade" é algo bastante relativo nesse caso. Taí a matéria antes da edição, Leilão!

Tecnossexual: vaidoso e conectado
Nova nomenclatura para tipo de homem ‘moderninho’ já tem adeptos em Salvador

“Um ser narcisista e urbano, fascinado pela informática” ou “uma pessoa com forte senso estético para moda e amor pela tecnologia”, são apenas algumas definições para o termo tecnossexual, que ganhou força nos últimos anos por colocar num só frasco dois tipos de homens bem diferentes: o saradão, a quem só interessa a própria aparência, e o nerd, que vive em função das inovações tecnológicas.

O novo conceito chegou a Salvador, mas muitos rapazes ainda não sabem bem do que se trata, apesar de admitirem o rótulo após uma rápida explicação. É o caso do estudante Márcio Oliveira, 19, que diz praticar musculação para fins puramente estéticos e não consegue imaginar como seria sua vida sem aparatos tecnológicos como celular, iPod e internet. “Não consigo viver sem isso”, sentencia.

Outro que se considera dentro da nova tribo urbana é o microempresário do ramo de confecções Marcos Lucas, 23. Tecnossexual assumido, Lucas acredita que seus interesses profissionais foram preponderantes para determinar essa condição. Além de lidar com moda, e entender do assunto, o jovem também cursa administração com ênfase em TI (tecnologia da informação), o que faz dele uma espécie de “tecnossexual standard” (padrão).

“Gosto de cuidar do meu corpo e de me vestir bem, combinando cores e de acordo com as ocasiões; além disso, por estar envolvido com TI, sempre fui muito ligado a tecnologia”, explica o microempresário, que considera o ‘nerd’ e o ‘metrossexual’ modelos de homens limitados e ultrapassados.

Estereótipos

O professor Roberto Albergaria critica a criação de nomenclaturas como “tecnossexual”. Para ele, o que a mídia busca com a difusão de termos como esse é “transformar o que é impalpável e incognoscível em pílulas”, prontas para serem consumidas.

Apesar da condenação, Albergaria atenta para a redefinição dos padrões de gênero, iniciada nos anos 1970. Segundo ele, “quando as mulheres se liberaram e ficaram mais independentes, o velho homem machista foi substituído pelo homem sensível, que gosta das mulheres”. A ascensão desse novo ‘padrão de homem’ permitiu o surgimento do tecnossexual, que se diferencia por ser “mais individualista e narcisista”, parte de uma geração que o professor enquadraria como ‘egogeneration’.

P.S.: A matéria além de ruim, ficou cara: Allan Sieber cobrou 300 pilas para fazer a ilustração. :0

19 Fevereiro 2009

Show de bola

Se ler Nelson Rodrigues não viciasse, eu recomendaria para todo mundo, mas não é o caso. Pra provar o que digo, trouxe aqui um pedacinho da droga. (É o trecho de uma crônica do reacionário chamada "Flamengo sessentão" - NR era Flu doente -, publicada no jornal Manchete Esportiva, em 1955, e que integra "À sombra das chuteiras imortais", coletânea de crônicas de futebol organizada por Ruy Castro que devo terminar de ler até a quarta-feira de cinzas. Todo carnaval tem seu fim).

"Corria o ano de 1911. Vejam vocês: — 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência; Mata-Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: — é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos: — grande época! grande época! (...)"


Update 1: Entrevistei Ruy Castro na Bienal do Livro deste ano, pra Metrópole TV, mas nem cheguei a fazer as vezes de fã (pedir autógrafo, tirar foto, enfim), e me arrependi. Depois da foto com Viviane Araújo, seria a mais 'importante' do meu álbum no orkut. Como consolo, o orgulho de ter-lhe arrancar um riso sincero, após emendar uma piada em cima de um comentário dele sobre Ronaldo, o Brahmeiro. (Logo que a entrevista sair, posto o vídeo aqui).

Update 2: Vi depois, em outra entrevista, Ruy Castro dizendo que "Flamengo Sessentão" era a melhor crônica de futebol que ele já leu. Ou seja, nossos critérios de apreciação estética (não digo nem 'bom gosto', que não cumpro pré-requisito) são parecidos.


Update 3: Daí, pra que ninguém desconfie da indicação de dois bons leitores de Nelson (eu e Ruy), encontrei o texto na íntegra AQUI, pra você se deleitar até o fim com essa obra prima do reacionário.

14 Fevereiro 2009

Pilha Pura

A "Pilha Pura", seção do Jornal da Metrópole que corneta/fala mal de algum segmento, grupo, tema, assunto começou a ser escrita (mas não assinada) por mim, desde a última semana. Batizada com a típica expressão por sugestão minha, deve render boas sacanagens, como na estreia, que segue, sem as edições sofridas antes do jornal ir pro prelo. (Registre-se, entretanto, que não concordo com tudo que disse. Pilha é pilha).
Depois que Caetano Veloso disse em seu blog que “a melhor coisa do mundo é pagode baiano” decidimos parar pra ouvir algumas das mais recentes produções do gênero, na tentativa de ratificar (ou não) a declaração do cantor santamarense.

‘Cagüete’ descarado
Com o perdão do trema, que “vai ser derrubado”, a galera do No Stylo abre a série com o primeiro sucesso da banda, que conta o dia-a-dia de um jovem da periferia. Mostrando que o sistema é bruto até para quem ama a violência, “Vai ser derrubado” virou “Vai seu derrubado”, perdeu o tom de ameaça de morte e só assim passou a tocar nas rádios. Sucesso, apesar das péssimas opções estéticas.

Fantasmão assustador
Mas se engana quem acha que somente o No Stylo está com “sangue no olho”. O Fantasmão, a ótima banda que promete arrebentar outra vez neste carnaval, também tem letras de arrebentar a cara de um folião desavisado. Na auto-explicativa “A gente broca”, o vocalista Eddye até pede “pra não dar murro no olho”, mas logo em seguida emenda: pra colar com ele “tem que aguentar madeirada”. Assim, “pode sair da frente” porque eles vão “descer quebrando”.

Xoxoteiros de carteirinha
A opção pra quem não quer digladiar no pagodão é cair na ‘safadiagem’. E nesse quesito, o Black Style não perde pra ninguém. Depois de botar as mulheres pra ralar a “tcheca no chão” e descer “com a mão no tabaco”, a trupe resolveu dar uma variada: a idéia agora é esfregar “a xana no asfalto” e mexer a “perereca pra frente e pra trás”.

Raspadinha
A temática ginecológica também é explorada por outras bandas. Depois de Zéu Britto fazer sucesso com sua “Raspadinha”, agora é a vez da banda O Back (que a galera do Pagodart traduziria como “Ma+conha”) colher os louros da fama com uma canção homônima. “Ela tenta botar no veó / Ela tenta botar moicano” são apenas as primeiras frases da música... “Salve o compositor popular”.

Kuduro
Esgotadas as referências às partes pudendas das piriguetes (o “badalo do negão” parece estar em baixa), uma velha novidade: o kuduro, que “não é rap” e “não é samba”, mas virou pagode quando veio de Luanda (Angola). Fantasmão e Psirico disputam o pioneirismo do ritmo, mas é o primeiro quem tentará emplacar a música “Kuduro” como música do carnaval, este ano. A julgar pelo nome, o ritmo não deve ser dançado por qualquer bunda mole. Ainda assim, Caetano parece bastante interessado.

14 Janeiro 2009

Nostálgico, Mas Nem Tanto

Se há uma coisa que me faz dizer "como eu era abestalhado" é rever/reler as cartinhas de amor (enviadas e recebidas) que tenho guardadas em uma caixa - não são poucas: umas cem!

Se colocasse apenas um trecho das coisas que reli e me 'aterrorizei', já morreria de vergonha... Mas há as exceções! E é justamente uma delas que vou destacar aqui, para fazer, como de costume, o passado parecer mais interessante do que realmente foi/é.

São os últimos versos de um poeminha bossa-nova que mandei pra minha ex-namorada. Dizia assim:

"...Eu nunca vou me conformar
Com o quanto posso oferecer
Parece pouco pra falar
Mas custa-me reconhecer

Eu sei como te conquistar
Também como te convencer
Uns versos pra rimar com 'amar'
E outros rimar com 'você'".

(hahaha! é ruim demais, mas é legal. / de 03 de agosto de 2002, às 04:15 AM).

18 Setembro 2008

Profissão: Michê

Comentários prévios: 1. Não costumo reclamar das edições que fazem de mim (das minhas matérias). Cortar, resumir, dar uma reduzida no tamanho do texto, antes da publicação, é compreensível. Quase sempre inevitável; 2. Pra ser um bom editor tem de ter a manha, a sensibilidade certa pra saber onde passar a faca, onde tirar as banhas ou mesmo os desvios... mas quando uma matéria de quatro páginas se transforma em uma de duas, não tem editor que dê jeito; 3. Pra tirar um pouco da má impressão que ficou de mim (do que escrevo), com relação à matéria sobre garotos de programa publicada na Metrópole 14, que fiz junto com Bruno 'Gandhi' Santana, disponibilizo-a aqui, na íntegra, sem os merecidos cortes que deveria ser estendido a esse prefácio; 4. (Pra ver como a matéria ficou na Revista, clique aqui).

Putos da vida
João Gabriel Galdea

Apesar das evidências em contrário, costuma-se dizer que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Entretanto, até meados do século XX, o meretrício era uma atividade somente exercida por mulheres, que de Maria Madalena a Bruna Surfistinha, colecionaram (má) fama e dinheiro, sem concorrência ou reveses que as incomodassem no emprego da arte de dar para receber.

Com o advento da pílula anticoncepcional, a liberação sexual e a conquista gradual e progressiva da independência financeira da mulher, um filão não explorado do mercado de sexo começou a ganhar notoriedade: a prostituição masculina. Com bala na agulha, as damas passaram a exigir cavalheiros nos cardápios da cafetinagem e da putaria de varejo, fazendo surgir o michê, produto de uma demanda que ‘anos após anos’ vem se afastando daquela que os concebeu.

Atualmente, quase toda a clientela dos garotos de aluguel é de homossexuais, o que explica, em parte, a fobia por exposição e auto-reconhecimento da maioria dos profissionais do sexo enquanto fornecedores de afeto e outras coisas mais. Para o psicólogo clínico e psicanalista Helson Ramos, essa é apenas uma das causas da recusa dos michês em se assumirem como tais. “Se a prostituição feminina já sofre preconceito e discriminações, apesar de ser legal em muitos países, a modalidade masculina, que é mais recente, é ainda menos aceita socialmente e sofre condenações explícitas de alguns grupos”, afirma.

O psicólogo lembra que até mesmo os usuários e usuárias de tais serviços costumam manter suas práticas como coisas da vida privada, tornando o sigilo e a preservação das intimidades dos envolvidos um requisito para seguir a carreira na vida. “Isso acaba contribuindo para manter a profissão na sombra. Uma pessoa ‘sair do armário’ e se assumir nessa profissão é um tipo de exposição ainda pouco comum”, conclui.

Na contramão do anonimato preferencial do ofício, o estudante Guilherme Frances, de 20 anos, resolveu criar um blog para exibir sua voluptuosidade, “sem enganação”. No ramo há não mais que seis meses, Frances, “seu garoto particular do litoral de Salvador”, conheceu outros rapazes que também vendem horas de prazer, e resolveu imitá-los, pra ver no que dava. Deu que, de cem em cem paus (de cachê, claro), o messalino tem conseguido juntar mensalmente R$ 800, dos quais R$ 400 são para pagar a faculdade de logística empresarial. (De logística sexual ele já entende bem).

Outro garotão que utiliza a Internet para oferecer seus serviços íntimos é o estudante de educação física Kleber, 20. Cobrando por programa o que geralmente cobra uma bela puta, R$ 250, o auto-proclamado “doce e ardente” rapaz mantém um anúncio na Revista Virtual Eliteboy, da garota de programa Adriana Piazza, junto com outros 12 boys de músculos rijos à espera de moleza. Na “vida fácil” apenas de passagem, Kleber conta que nunca teve problemas no exercício da profissão, exceto uma vez, quando sua aparência física não correspondeu às expectativas estéticas do cliente. Recusado, nem precisou ficar “puto”, pois recebeu a grana sem derramar ao menos um pingo de suor ou esperma.

Marcus, 24, “atlético e alto nível”, foi outro que também não foi aceito por um de seus fregueses. O motivo da recusa, no caso, foi o tamanho do seu dote, correspondente ao número de anos completados, o qual acabou assustando a clientela. Casado e pai de dois filhos, Marcus, que também se diz comerciante, afirma ter resolvido colocar seu anúncio nos classificados de jornal depois de uma crise financeira há alguns anos, quando sua esposa deu à luz seu primeiro rebento. A necessidade o fez “partir para o desespero”. Garante que hoje a mulher já lida bem com o fato de ele sair para fazer “hora extra”, algumas vezes na semana. “É pro bem de nós todos”, justifica o michê-bem-dotado-pai-de-família.

Segundo Fátima Medeiros, diretora da Associação de Prostitutas da Bahia (Aprosba), Marcus é uma exceção. “Eles não se assumem. A maioria são homens casados e as esposas não sabem que eles fazem programas”, revela. Em 2002, a Aprosba realizou um trabalho de conscientização e prevenção com michês, em alguns pontos de Salvador. Depois de um ano, o projeto, que visava incluir os garotos de programa na luta por direitos e na defesa das preferências e práticas da classe, acabou não vingando. “Muitos deles são capoeiristas e garçons, que freqüentam os pontos turísticos da cidade em busca de clientes”, explica a diretora da Aprosba. Apesar do grande número de informações sobre a prostituição masculina na capital, e do esforço empreendido para ajudar esses profissionais, a Associação não tem uma estimativa de quantos michês encontram-se na ativa (e na passiva) em Salvador, atualmente.

Penteadeira de puto
Bruno Santana

Minha história como garoto de programa começou com um seco “boa sorte”, dirigido a mim pela atendente dos classificados do jornal A Tarde, no shopping Iguatemi. Ela recebeu com naturalidade o meu anúncio e me lançou ao mundo dos michês sob o gigolesco codinome de Aaron. Confesso que a indiferença de minha madrinha me decepcionou. Mas sua frieza foi algo que mais tarde se confirmaria como fenômeno do mundo dos garotos de programa: mulheres não se interessam muito por michês.

Eu, Aaron, 24 anos, na flor da idade e cheio de amor para dar, alto, magro, aberto a novas experiências e com carro próprio, tudo por apenas R$60, não recebi nenhuma ligação feminina. Foram quase 60 chamadas, todas feitas por homens. Nem sequer uma dessas coroas dadas ao alcoolismo, na idade da decadência e semelhante a um peru de natal com generosa capa de gordura me prestigiou. Talvez minha idade, um tanto florida, e o fato de estar, desde o anúncio, aberto a alguma coisa não tenham causado uma boa impressão às mulheres gordas. Nem cheguei a cogitar receber ligações das magras quase magras ou pouco gordas; elas não precisam recorrer aos classificados para trepar.

No fim das contas, tive que suportar três dias com viados enrustidos chorando ao meu ouvido seus complexos de auto-repugnância e desejos reprimidos. Preferia as alcoólatras adiposas e sua baixa auto-estima disfarçada por umas goladas de uísque vagabundo. Mas não guardo rancor daqueles que solicitaram meus serviços, peço somente que saiam do armário. Só não esqueçam de levar consigo aquele vestido dourado da esposa que sempre sonharam usar.

Antes de começar meu relato, quero deixar registrado um alerta às esposas ingênuas que saem por aí exaltando a macheza de seus pit bulls cor-de-rosa: abram os olhos, seu cachorrão não late, só balança o rabo.

Garoto de aluguel

Puto que é puto não tem hora para pegar no batente – volto a esclarecer que não peguei em nada. Mesmo destilando minha ressaca do dia anterior, não titubeei em levantar rapidamente da cama quando meu celular recebeu a primeira ligação, por volta das 9h do sábado (19/07). Minha carreira relâmpago como puto de classe média promíscua finalmente havia começado.


“Alô, éééé... Eron?”. Meu primeiro cliente ou era semi-alfabetizado ou tinha a boca tão mole e desejosa de um boquete que não conseguiu pronunciar meu nome corretamente. “Vi seu anúncio no jornal, Eron. Queria saber como você é”. Não entrei em muitos detalhes, ainda não havia me familiarizado com a etiqueta gay, nem com as negociações preliminares. “Hum... moreno, alto, magro, né? E o dote? Meu dote é grosso, reto e tem 19 cm”. Essa história de dote me causou certo desconforto. Não me agrada muito descrever ou ouvir descrições de dimensões, angulações e formatos de rola. Preferi encarar a conversa como se estivesse numa competição. “O meu é grosso, torto e tem 22 cm”, respondi. Pedro* se deliciou, até perdeu aquela vozinha de bicha obsequiosa que tanto me irritava.

Meu primeiro cliente tinha 30 anos e mora com os pais em Lauro de Freitas. Tem namorada, mas o que ele gosta mesmo é de dar o toba. Perguntei se ele nunca pediu para sua namorada fazer o bom e velho fio terra quando eles transavam. A resposta foi curta e grossa: “Se fosse para meter o dedo, não procuraria um garoto de programa”. Nem parecia a mesma pessoa de minutos atrás. Seu arrebatamento e sua alegria com a descrição do meu dote foi tanta, que não tive coragem de tirar o pirulito da boca do menino, ou melhor, que ele queria pôr na boca. Marquei o encontro e, em vez de lhe dar um pirulito anguloso e robusto, lhe dei um bom bolo. Como castigo à minha falta de culhão, tive que agüentar suas ligações por todo o fim de semana. Ele foi responsável por quase metade de todas as chamadas.

Ainda durante a manhã de sábado, recebi dezenas de ligações. As conseqüências da auto-repressão são tão fortes que vontade de trepar parece vir junto com a primeira espreguiçada. E pior, ela não vai embora nem no horário do almoço. Um bofe ancião, de 61 anos, me ligou por volta do meio-dia para “fazer uma sacanagenzinha”, enquanto a patroa estava fora. Antes de lhe explicar que não trabalhava no horário de almoço, perguntei o que ele curtia de sacanagem. “Gosto de chupar”, disse com tanta indiferença que tive vontade de responder que gostava de chocolate, mas o velho provavelmente não entenderia. Sobre as estripulias que fazia com o próprio briôco, o viadoso (viado idoso) disse que liberava no máximo uma chupadinha, mas que o negócio dele é comer. A visão do cu chupado do velho me proporcionou um asco tão grande que adiantei o desfecho da conversa.

Depois de muitas ligações insossas, atendi, por volta das 16h do domingo, uma vozinha fina e levemente enjoada que me deu a impressão de se tratar da minha primeira ligação feminina: “Aaron, acabei de ler seu anúncio nos classificados...”. A alegria em segundos se desfez. Logo reconheci que se tratava de uma dessas bichas aspirantes a Leo Kret, só que sem coragem suficiente para começar a tomar os hormônios. Por isso, a necessidade de anasalar a voz para adquirir ares femininóides. Marcos* foi o meu cliente mais novo, tinha 28 anos, e aparentemente era o mais bem resolvido com seu gosto pela viadagem. Como era de praxe, perguntou sobre meu dote e minha aparência. Mas os meus pêlos eram sua maior preocupação. Marcos gosta de caras peludos, arquétipos do macho alfa. Respondi que era bastante cabeludo, mas não sei porque razão ele decidiu encerrar o papo bruscamente. Talvez minha voz não tenha garantido minha virilidade.

Ao longo dos meus três dias de michê, tive a oportunidade de conhecer todo tipo de cliente. Conheci o viado pechincha, que me propôs um desconto de 30% no preço do programa e ainda perguntou se eu poderia me vestir de mulher. “Você se incomoda de vestir uma calcinha?”, falou com tanta vergonha que achei que era ele quem se travestiria. O viado herbalife: “Eu? Como sou? Tô um pouco gordinho, né... Hehehe...Você se importa?”. O viado desavisado: “Como? Você é garoto de programa?”, me perguntou perplexo ao ser questionado se já havia procurado um gigolô. Ao escutar minha resposta, o desavisado, agora convertido a curioso, lançou uma nova pergunta: “Desde quando?”. Respondi que desde os 15 anos. Quando ouvi um “Aaahhh...” do outro lado da linha, perdi a paciência e desliguei o telefone. Praticamente todos os caras que solicitaram meus serviços tinham mais de 30 anos e eram casados ou mantinham relação estável com (eca!) uma mulher.

No final da minha experiência, além de elaborar uma presunçosa teoria sobre a lógica que rege o mundo dos michês e seus apreciadores, terminei encontrando uma alternativa profissional caso minha carreira jornalística não vingue – e provavelmente não vingará. Quem sabe os reveses da vida não trazem, definitivamente, Aaron à ativa, e à passiva também, mais paciente e menos preocupado com sua integridade anal, para ser alçado a libertador das bichas enrustidas e ícone dos putos desta cidade que no fundo, bem no fundinho, é cor-de-rosa.
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08 Agosto 2008

Portifólio (Desatualizadaço)

Depois que meu orkut realmente começou a parecer um currículo, resolvi transferir o meu portifólio on line para um lugar mais apropriado. Fazendo uma caridade, trouxe (quase) tudo pr'aqui, pr'este blog relegado, que há tempos não me recebe nem p'rum cafezinho. Péssimo sinal: Eu realmente não me interesso por mim mesmo. Mas quem sabe você se interessa. Quem sabe você, sem pressa...


Entrevista primeira-dama Fátima Mendonça (TV Metrópole)
http://www.radiometropole.com.br/metropoletv/index_tv.php?id=VGxSRlBRPT0=#recentes

Entrevista Rafael Cortez (TV Metrópole)
http://www.radiometropole.com.br/metropoletv/index_tv.php?id=VGtSblBRPT0=#recentes

Jornal da Facom

Puro Suingue (O pouco conhecido mundo da troca de casais em Salvador)
Padre Freela (Sobre clérigo que faz mais cerimônias fora do templo na Bahia)
http://www.jornaldafacom.ufba.br/ed11/indice/indice2.html

Revista Metrópole nº 6
Rastafáris reivindicam o direito de utilizar maconha em cultos
http://www.revistametropole.com.br/edicoes_anteriores/revista_metropole_06.pdf

Revista Metrópole nº 7
Enchendo o saco - Vereadores, págs. 30 e 31; Mal pagos para bem servir, págs. 32 e 33; Bons Despachos 2008!, págs 40 a 44.
http://www.revistametropole.com.br/revista_digital7.html

Revista Metrópole nº 8
Enchendo o saco de Artistas da Axé Music: Cláudia Leitte, Netinho, Larissa Luz, Durval Lélys, Saulo Fernandes e Ninha, págs. 12, 13, 14 e 15; Perguntas de Aborrecente, com ACM Neto, pág 45.
http://www.revistametropole.com.br/edicoes_anteriores/revista_metropole_08.pdf

Revista Metrópole nº 9
Dj Shadow, pág. 6; Sicuca de Bico, com Nelson Pelegrino, pag 44; Enchendo o Saco de Religiosos, pags. 52 e 53.
http://www.radiometropole.com.br/objetos/revista_metropole.pdf

Revista Metrópole nº 10
Sinuca de Bico com Lídice da Mata (PSB), pág 46; Enchendo o saco de Beijoca, Raudinei, Dadá Maravilha e Emerson, (ex)jogadores do Jahia, págs. 48 e 49.
http://www.revistametropole.com.br/edicoes_anteriores/revista_metropole_10.pdf
http://img406.imageshack.us/my.php?image=digitalizar0001gi0.jpg

Revista Metrópole nº 11 Págs 4 a 10 (Reportagem de capa); Sinuca de bico com Olívia Santana (PCdoB); Enchendo o saco de Rodrigão, Ramon Menezes, Rodrigo e Adoílson, (ex)jogadores do Vitória.
http://www.revistametropole.com.br/edicoes_anteriores/revista_metropole_11.pdf

Revista Metrópole nº 12
Matéria 'São João alta estação', págs. 50 a 53; Sinuca de bico com Rogério Da Luz (PMN), pág. 55; Enchendo o saco de Radialistas: Djalma Costa Lino, Mário Kértesz, Silvio Mendes e Zé Eduardo Bocão, págs. 56 e 57.
http://www.revistametropole.com.br/edicoes_anteriores/revista_metropole_12.pdf

Revista Metrópole nº 13
Sinuca de bico com Walter Pinheiro (PT), pág. 47; Enchendo o saco de Danilo Gentili, Rafael Cortez, Marcelo Tas e Oscar Filho do CQC da Band, págs. 48 e 49.
http://www.revistametropole.com.br/revista.html

Jornal da Metrópole nº 2
Entrevista Leo Kret do Brasil, pág. 6.
http://www.jornaldametropole.com.br/pdf/jornalmetropole_2507_web.pdf

31 Maio 2008

Meu Podcast

Ouça os programas do Cacete Armado (Rádio Metrópole), algumas entrevistas feitas por mim, além dos programas gravados para a Rádio Facom.



20 Abril 2008

“Meu nome é Johnny”



Já faz tempo que protelo o dia de contar como foi que descobri que meu nome não é Johnny. Contava cinco anos e era meu primeiro dia de aula no infantil do Grupo Escolar Amoedo. Lembro de detalhes daquela manhã em princípios de 1989. Minha mãe me largando numa fila de guris do mesmo top que o meu, o hasteamento da bandeira do Brasil e a cantarolagem do hino nacional.

Na sala de aula, ainda vejo meio nublada na memória a disposição das cadeiras, o posicionamento de minha prima Vanessa e de meu irmão Tessio – ela ao meu lado direito e ele ao esquerdo. Mais nitidamente lembro da professora Margarida Amoedo, com sua voz autoritária, seus cabelos curtos e ainda não tão brancos.

Dá-me um branco até a hora da chamada, que começa, seguindo a ordem alfabética, e vai indo pimpolho após pimpolho. Um a um vão se apresentando, até chegar a vez de um chamado João Gabriel.

“João Gabriel. João Gabriel.” Repetiu a professora algumas vezes, atravessando a sala e se posicionando em minha frente. “João Gabriel.” E eu nem tchum.

“Menino, como é seu nome?”
"Meu nome é Johnny!”
"Você não sabe o seu nome?”
“Meu nome é Johnny.”
“Não. Seu nome é João Gabriel.”
“Oxe, não! Meu nome é Johnny. Né não, Vanessa?”
“É, o nome dele é Johnny!”

E a partir desse diálogo confuso pra minha cabecinha, descobri que meu nome não era Johnny, e fui cobrar explicações da minha mãe, que nunca tinha me apresentado esse tal de João Gabriel.

31 Janeiro 2008

Coletiva: Cláudia Leitte (Pergunta de James)



James Martins, repórter da Revista Metrópole, em coletiva de imprensa de Cláudia Leitte realizada em 30 de janeiro de 2008 no restaurante Boi Preto, Boca do Rio, Salvador.

Coletiva: Cláudia Leitte (Minha pergunta)




João Gabriel Galdea, Revista Metrópole, na mesma coletiva.

18 Dezembro 2007

Entrevista: Wagner Moura


Jornal da Facom
por André Uzêda e João Gabriel Galdea

Baiano de Rodelas, Wagner Moura é hoje a celebridade do momento. Depois de emplacar dois papéis polêmicos, que caíram no gosto popular – Olavo, da novela Paraíso Tropical, e Capitão Nascimento, do longa Tropa de Elite – o ator de 31 anos se encontra na sua melhor fase profissional.

Casado com a fotógrafa Sandra Delgado e pai de Bem (seu primeiro filho), Wagner quase não tem tido espaços vazios na sua sobrecarregada agenda. Entre publicidades, projetos de produção teatral e entrevistas recusadas – segundo seu assessor, ele tinha acabado de “passar” uma entrevista para o Jô Soares –, o ex-faconiano (estudante da Faculdade de Comunicação da UFBA), mostrou que não é ‘aspira’ e encontrou uma brecha na sua atribulada vida de pop-star para dar esta entrevista, por e-mail, para o JF.

Apesar de algumas respostas quase lacônicas, Wagner fala nesta entrevista de sua adolescência, da mudança para Salvador, política, projetos profissionais e drogas, dentre outros.


Jornal da Facom - Wagner, você é “Bahia ou Vitória, afro”?

Wagner Moura - Sou torcedor de um time pertencente à primeira divisão do futebol brasileiro.

[O Vitória acaba de conseguir o acesso à 1ª divisão do Campeonato Brasileiro].

JF - Seu pé está “bichado” – rompeu os ligamentos do calcanhar direito jogando bola. Onde você costumava bater o baba?

WM - O acidente que rompeu os ligamentos do meu pé direito interrompeu uma carreira promissora. Vide minha participação no time da Facom de 98, campeão moral do campeonato da UFBA.

JF - Soubemos que você foi um cara bastante recluso na adolescência, tinha poucos amigos. Talvez pelo fato de ter vindo do interior. Foi no teatro ou na faculdade que você começou a se abrir, “Óvni”?

WM - Eu era óvni na escola por inadequação. No teatro por identificação. A Facom me proporcionou contatos imediatos de terceiro grau.

[Recebeu o apelido de “óvni” no colegial].

JF - Em que colégio você foi estudar quando veio para Salvador e onde completou o ensino médio? Como foi sua adaptação à cidade?

WM - Estudei no Nobel e depois no Mendel. Adaptação complicada para quem vinha da escola pública de Rodelas. Não via muita graça na Salvador Itaigara-Pituba. Melhorou quando comecei a conhecer melhor a cidade e freqüentar o mercadão do peixe.

JF - Você estudou na Facom. A famigerada ‘Faconha’. Por acaso, era um freqüentador da varandinha (fumódromo da faculdade)?

WM - Varandinha?

[Será que freqüentou tanto que esqueceu?]

JF - A FGV fez uma pesquisa, divulgada recentemente, revelando que 62% dos usuários declarados de drogas são das classes A e B, sendo uma boa parcela deles universitários. Como você analisa as críticas feitas à classe média “esclarecida”, apontada como financiadora do tráfico? (Numa cena polêmica do filme Tropa de Elite, o Capitão Nascimento agride um estudante de classe média, universitário e maconheiro).

WM - O consumo financia o tráfico, isso todo mundo sabe, a questão é: combater o usuário é a melhor forma de acabar com o tráfico? Eu acho que não. Pra mim, a legalização, por exemplo, seria muito mais eficaz.

JF - Você que é favor da descriminalização das drogas, acha que essa medida, de fato, irá por fim ao tráfico?

WM - Não tenho certeza, sei que como está não tá rolando. Não é matando traficante que se acaba com o tráfico.

JF - Hoje em dia para atuar na área de jornalismo é necessário o diploma do curso de comunicação. Na área da dramaturgia acha que deveria valer a mesma coisa?

WM - Acho que as faculdades de jornalismo têm um papel importante, principalmente na apresentação de um arcabouço teórico e ético para o exercício da profissão. O jornalismo tem um compromisso com a verdade que a arte não tem. Não vejo necessidade de uma formação acadêmica para o cara escrever uma peça.

JF - Sua carreira jornalística foi curta. Trabalhou no Correio da Bahia, e foi repórter de Michelle Marie. Essa sua proximidade com o jornal e a nora de ACM tem a ver com suas “preferências” políticas, ou seja, você era, ou é, carlista?

WM - Carlistas na Facom?

JF - Mesmo acompanhando à distância, o que tem achado da administração do governador Jaques Wagner e, em especial, da gestão de Márcio Meirelles à frente da Secretaria de Cultura?

WM - Sei que Márcio está enfrentando muitas críticas aí. Não deve estar sendo fácil essa transição, mas ele é íntegro, inteligente e capaz de comandar esse processo. É importante, no entanto, não deixar a máquina parar e acho que essa tem sido a queixa da maioria. Mesmo arrumando a casa com cores completamente diferentes e enfrentando a burocracia e o funcionalismo viciado, o barco tem que andar porque muita gente depende dele. A vitória de Jaques Wagner é histórica e acho que a esquerda baiana aprendeu com os mandatos de Waldir [Pires] e Lídice [da Matta] que se der mole, o PFL [atual Democratas] volta com tudo. Boto fé em Wagner.

JF - Em entrevista à Folha você se mostrou simpático às leis de incentivo em relação ao cinema. Entretanto, na mesma matéria se diz favorável a um estado interventor. Você não acredita que as leis de incentivo transferem muito poder à iniciativa privada em relação à cultura, diminuindo o papel do Estado?

WM - As leis de incentivo são fundamentais, sem elas não se faz quase nada. Não acho o modelo perfeito, mas a parceria Estado-iniciativa privada é importantíssima, não só para a cultura. Quando falo em Estado interventor não penso na Venezuela.

JF - Cacá Diegues definiu seu estilo de atuação como “axé acting”. Um estilo de atuar talvez próprio dos baianos. Vários artistas da terra tem se destacado no cenário nacional na área de dramaturgia (a exemplo de Lázaro Ramos, Zéu Britto, Fabrício Boliveira, Emanuelle Araújo etc.). Você considera essa a nova “Báfia” (uma “máfia” baiana), como ficaram conhecidos os músicos que daqui saíram e fizeram sucesso na época do tropicalismo?

WM - O teatro baiano é de altíssimo nível, nossa geração é boa, o cinema gosta de caras novas, a tv está menos preconceituosa e a galera é toda gente fina, não tem porque não dar certo.

JF - Diogo Mainardi afirmou em seu podcast que o cinema brasileiro não deveria existir, que você era um péssimo ator e que deveria raspar as sobrancelhas. Se o Cap. Nascimento encontrasse o Mainardi na rua, o chamaria de “fanfarrão”?

WM - Não, eles provavelmente se dariam muito bem.

JF - Você é o primeiro ator a estrelar como garoto-propaganda em campanhas publicitárias importantes (Bradesco, Antarctica, Iguatemi), emergindo de personagens polêmicas: Olavo (picareta, corrupto, mau caráter) e Cap. Nascimento (torturador e assassino). Hoje em dia, as empresas têm grande preocupação em não vincular suas marcas a coisas negativas. A que se deve a inversão na lógica da publicidade, no seu caso?

WM - Os personagens que eu fiz ficaram populares, penso que hoje isso conta mais.

JF - Dois dos três indicados ao prêmio de ‘melhor ator do ano’ do programa Domingão do Faustão são baianos (Lázaro Ramos é o outro indicado). Qual é a importância desse prêmio na sua carreira?

WM - É o voto dos telespectadores. Esse ano eu popularizei mais meu trabalho, que é uma coisa que eu acho importante.

JF - Há boatos de que ‘Tropa de Elite’ vai virar um seriado de TV. O Capitão Nascimento continua ou pede para sair?

WM - Pede pra sair.

JF - Você agora também está trabalhando como produtor teatral. Quais são as diferenças fundamentais entre atuar e fazer a produção?

WM - É tipo quando o palhaço vira dono do circo.

JF - O nome do seu filho, Bem, é uma referência/homenagem a Jorge Ben ou é por que você tava de “Ben” com a vida quando o fez?

WM - O nome dele é Bem.

[Bem, deixa pra lá].

JF - E, finalmente, onde estão os óculos de Clóvis, porra?

WM - Sua Mãe está de volta e faremos um show aí em dezembro.

[Wagner Moura tinha uma banda chamada Sua Mãe que teve como único hit a pegajosa canção “Onde estão os óculos de Clóvis?”].

23 Novembro 2007

Esse sambinha eu fiz


Esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros; as passarelas, os ombros das que passam na marcação do tamborim, da cuíca; os passos delas. Brinca, brinca: luz, que lá vem elas! E eles, na cadência do samba, na ascendência, na aparência. Catiguria: - pops! - Alegorias e adereços. Alegrias e aderências: sapato, chão, sola; pé dentro, pé fora. Bole, menina, bora! Menino, na espinha mole, na escola mora. Desfile das escolas de samba, das escolas de moda. E o trio samba, e o samba enreda, e a rede breca: ô, samba de breque, samba de black, parte do alto. Partido alto, do morro, no céu uma oferenda - pa god! Todo mundo pode. Todo mundo samba: ruins da cabeça, doentes do pé; Bons e maus sujeitos se engalfinhando, ou numa gafieira, na Estação Primeira, onde o trem das onze atrasa, ou não passa. Todo mundo fica, e o Tio Sam-ba, e o frio sampa, o samba-canção. Se você quebrasse, se você mexesse, se você tocasse, o samba santamarense; Se você passasse, ou se falecesse... Mas o samba não morre, o samba é duro, José!